Empresas Recuperadas

Quando há falência e quebra de empresas, além de ser um problema ao seu dono, há também forte impacto sobre o território em que a empresa está integrada, a comunidade local. Uma empresa instalada em determinada região possibilita a criação de empregos e geração de renda aos moradores da região, assim oferece uma melhora de vida aos seus habitantes e incentivo econômico na região.

No Brasil é possível verificar em registros históricos o surgimento de um grande movimento de recuperação de empresas regido por um sistema contrário ao que estamos acostumados. Foi desenvolvido uma nova relação social de produção, que surge principalmente em meio a crises. Trabalhadores se unem para conseguir levantar novas frentes de trabalho e renda de maneira horizontal e de autogestão.

A recuperação de empresas pressupõe a existência passada de uma empresa capitalista, onde a sua inviabilidade econômica culminou em uma luta de trabalhadores para sua recuperação de maneira igualitária em sua gestão, assim surge o movimento de Empresas Recuperadas por Trabalhadores (ERTs).

Empresas Recuperadas por Trabalhadores

Por meio da frente de trabalhadores em situações de perdas de postos trabalhistas e a reestruturação de empresas falidas, há constatações que datam desde o século XIX, como em 1871 na comuna de Paris, em 1971 no Chile, em 1974 em Portugal na revolução dos cravos. No Brasil e Argentina esta prática de recuperação de empresa tem se tornado evidente e torna-se uma alternativa em períodos de dificuldade econômica.

Este modelo faz parte do que chamamos de economia solidária, onde esta se interliga em três dimensões, a econômica, a cultural e a política. Esta é praticada por milhões de brasileiros que se organizam de maneira coletiva e inclusiva. São iniciativas de produtos realizados por meio de cooperativas de reciclagem e populares, cooperativas de agricultura familiar e agroecológica, de prestação de serviços, de produção manufatureira dentre outros. Sua base está na inclusão, gestão horizontal, democracia, sustentabilidade e consumo consciente.

No Brasil, Empresas Recuperadas

No Brasil a consolidação das ERTs foi concretizada com o apoio da ANTEAG (Associação Nacional dos Trabalhadores de Empresas de Autogestão e Participação Acionária) a partir da expansão deste modelo em empresas falidas. Ainda contou a partir de 1999 com o apoio da CUT (Central Única de Trabalhadores) e pela UNISOL (Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários).

Em uma pesquisa publicada no ano de 2013, 78 empresas haviam passado por processo de reestruturação já finalizadas e 67 empresas estavam funcionando por ERTs. No ano de 2010, em meio a crise, cerca de 50 empresas foram recuperadas por trabalhadores.

Em 2000, em São Bernardo do Campo foi criada a Cooperativa Unimáquinas, após a falência da antiga empresa. Dos 60 empregados que tinham na empresa, apenas 22 destes persistiram e fundaram a cooperativa de acordo com instruções da Unisol Brasil. Esta empresa trabalha na produção de máquinas específicas, são equipamentos de molde a produtos, e o principal segmento que sustentam é o farmacêutico, mas abordam também o alimentício, de cosmético, químico e veterinário. São máquinas que dão o formato de cápsula dos remédios e mesmo fornecem equipamentos que dão o formato das pastilhas Garoto.

Em entrevista com os trabalhadores, é possível verificar relatos sobre a dificuldade que tiveram em iniciar a cooperativa, já que estavam acostumados a somente trabalhar na produção dos itens. Quando se está em uma cooperativa todos fazem de tudo, desde a captação de clientes, a organização administrativa, gestão de pessoas e produção.

Hoje a empresa possui 8 cooperativas e ainda conta com 4 celetistas, e o faturamento mensal fica em aproximadamente R$ 110.000,00. De acordo com relatos, é crucial destacar que com a cooperativa os trabalhadores não temem ser despedidos, já que são empregados e patrões ao mesmo tempo, porém trabalham mais, mas compartilham todas suas experiências, além de salários mais igualitários.

No Mundo

No ano de 2001, em uma das piores crises financeiras já registradas na Argentina, estima-se que cerca de 205 empresas tenham sido recuperadas pelo movimento de trabalhadores, este caso envolveu cerca de 9300 trabalhadores. Os principais setores que possuem ERTs é o metalúrgico com 23,4 %, Indústria de alimentos com 12,6 %, a gráfica com 7,8 % e a têxtil com 6,3 %.

Em pesquisas realizadas foram constatados que este mecanismo de recuperação empresarial tende a surgir em períodos marcados por crises econômicas do sistema capitalista de produção. Este fato é sustentado pela alteração de identificação social, a perda de credibilidade em políticas e a classe de empresariado se torna evidente e faz com que novas alianças e articulações sejam desenvolvidas.


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