A Copa e a Economia Brasileira

O ano de 2014 foi o ano da realização da Copa do Mundo no Brasil, o evento esportivo foi abordado de várias formas, como a Copa da Copas, como um desperdício de dinheiro, como a exploração do potencial do Brasil pela FIFA, como um momento de insegurança para o país enfim sob prismas positivos e negativos.

Um dos principais temas discutidos acerca da realização da Copa no país foi a questão econômica, o quanto esse evento esportivo ajudou ou atrapalhou o país. O país apresentou um crescimento tímido nos últimos anos e de acordo com economistas teria sido ainda mais fraco se não tivesse sido realizada a Copa do Mundo.

O Impacto da Copa no País

O impacto da Copa do Mundo no país pode até ter sido pequeno em comparação ao que se esperava e aos resultados que apresentou em outros países sede, mas pode ser considerado positivo. Em geral os setores de serviços e comércio observaram a sua receita aumentar consideravelmente com a chegada dos turistas.

De acordo com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) o evento esportivo injetou na economia brasileira cerca de R$ 30 milhões. Essa avaliação foi feita com base em dados de empresários, analistas e entidades de classe de 15 segmentos que foram consultados pela Fipe.

Esse valor de R$ 30 milhões corresponde a cerca de 0,6% do PIB (Produto Interno Bruto) do país. O valor se aproxima do que outros eventos de grande porte como a Olimpíada oferecem a economia dos países que são sedes.

Quem Ganhou e Quem Perdeu com a Copa?

Indústria – Produção em Queda

Dentre os segmentos mais prejudicados pela Copa está o da indústria. Houveram demissões e queda na produtividade especialmente depois do fiasco da seleção brasileira que acarretaram numa derrocada ainda maior na venda de produtos ligados ao mundial.

Como a economia passou por um desaquecimento devido a demanda fraca e a grande quantidade de feriados as fábricas em geral deram férias coletivas ou mesmo alteraram a jornada de trabalho dos seus funcionários.

Para que se possa ter uma ideia do estado real da economia do país deve-se observar a indústria de papel ondulado (o produto é usado em toda a cadeia industrial), esse segmento apresentou uma queda de 3,38% em junho. No setor automotivo a queda da produção chegou a 33,3% quando comparado com o mês de junho de 2013. Também houve queda na venda de veículos, cerca de 17,27%.

Turismo

Um dos setores da economia brasileira que observou um bom crescimento durante a Copa foi o do turismo já que tivemos em nosso país 700 mil estrangeiros, isso somente no mês de junho. Em comparação com mais de 2014 observamos um crescimento de 132%.

Em termos de dinheiro o volume deixado pelos estrangeiros em nosso país foi 169% maior do que no mesmo período no ano de 2013. Esses dados foram obtidos por meio de levantamento da empresa de cartões de crédito MasterCard. Os hotéis das cidades-sede também cresceu cerca de 24% em comparação com o mesmo período em 2013 de acordo com estimativa do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB).

A média de ocupação dos hotéis no Rio de Janeiro ficou em cerca de 93,8% durante o mundial chegando a 97,66% na final da Copa. Contudo, São Paulo foi uma cidade que sofreu queda nesse setor já que foi bem reduzido o turismo de negócios. Os especialistas alertam que na verdade São Paulo não saiu perdendo já que os eventos foram apenas transferidos para outras datas para não concorrerem com o evento esportivo.

Bares e Restaurantes

Os restaurantes e bares tiveram uma queda de 10% em seu faturamento devido a menor quantidade de eventos corporativos no período do evento esportivo. Além disso, essa queda pode ser justificada também pelo perfil do turista que vem para a Copa, pessoas que não trazem família e que tem pouco dinheiro para gastar durante a estadia, ou seja, que evitam bares e restaurantes.

Cerveja

Os fabricantes de cerveja têm motivos de sobra para rir a toa com a Copa do Mundo no país já que a produção nacional aumentou em cerca de 6,3% comparando com junho de 2013. Foram cerca de 1,04 bilhões de litros.

Televisores

Outro segmento de produtos que ganhou um bom destaque nas vendas durante o mundial foi o de televisores que observou um crescimento de 100% em relação ao mesmo período no ano de 2013. No período de janeiro a maio o crescimento representou cerca de 41% em relação ao ano anterior.

Setor de Semiduráveis

O setor de produtos semiduráveis como peças de vestuário e artigos esportivos também se destacou tendo um crescimento de cerca de 9,3% nas suas vendas em comparação com o mesmo período no ano anterior.

Setores Não Impactados

Alguns setores acabaram não sendo impactados pela realização da Copa no país dentre os quais está o da construção civil assim como o mercado de materiais de construção que se mantiveram estabilizados. Dados da Caixa Econômica Federal dão conta de que também não se observou mudanças na concessão de crédito imobiliário devido a realização do evento.

Balança Comercial

A balança comercial teve o seu melhor resultado no mês de junho de 2014. As exportações foram maiores do que as importações em US$ 2,36 bilhões. Esse resultado foi favorecido pelo aumento das vendas de produtos básicos que teve um crescimento de cerca de 9,5%. Contudo, haverá um déficit no ano de US$ 2,49 bilhões.

Mercado Financeiro

O mercado financeiro assistiu a uma redução de cerca de 10% nas negociações dos pregões que tiveram o seu tempo reduzidos durante a Copa. Durante o mês de maio o giro financeiro da Bovespa ficou estável. No mês de junho o valor médio diário foi de R$ 6,33 bilhões em junho, algo em torno de 0,5% a menos do que o mês anterior. Já no acumulado de junho o Ibovespa teve um aumento de 3,76%.

Avaliações

Embora a Copa do Mundo não tenha impactado a economia como se esperava que fizesse ofereceu de certo modo pontos positivos. Além disso, existe o tal legado da competição que inclui obras que embora não tenham ficado prontas a tempo ainda serão concluídas.

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Categoria(s) do artigo:
Governo

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